{"id":16567,"date":"2026-08-20T10:26:07","date_gmt":"2026-08-20T13:26:07","guid":{"rendered":"https:\/\/gruporb.adv.br\/blog\/?p=16567"},"modified":"2026-08-20T10:26:08","modified_gmt":"2026-08-20T13:26:08","slug":"lc-224-2025-cni-questiona-veto-a-creditos-de-ipi-pis-e-cofins","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gruporb.adv.br\/blog\/index.php\/2026\/08\/20\/lc-224-2025-cni-questiona-veto-a-creditos-de-ipi-pis-e-cofins\/","title":{"rendered":"LC 224\/2025: CNI questiona veto a cr\u00e9ditos de IPI, PIS e Cofins"},"content":{"rendered":"\n<p>A discuss\u00e3o sobre&nbsp;cr\u00e9ditos de IPI,&nbsp;PIS e&nbsp;Cofins&nbsp;chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF). A Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI) ajuizou a ADI 8002 contra trecho da Lei Complementar n\u00ba 224\/2025 que impede o aproveitamento de cr\u00e9ditos mesmo quando o tributo passou a ser efetivamente recolhido na etapa anterior da cadeia.<\/p>\n\n\n\n<p>O tema interessa especialmente \u00e0s empresas que adquirem produtos ou insumos sujeitos \u00e0 reonera\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios fiscais. Para a CNI, a regra pode gerar um efeito de cumulatividade: a empresa suporta o tributo embutido na aquisi\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o consegue utiliz\u00e1-lo como cr\u00e9dito na etapa seguinte.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que mudou com a LC 224\/2025?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A LC 224\/2025 estabeleceu uma redu\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios e incentivos tribut\u00e1rios federais, atingindo, entre outros tributos, IPI, PIS e Cofins. A legisla\u00e7\u00e3o passou a substituir determinadas hip\u00f3teses de isen\u00e7\u00e3o ou al\u00edquota zero por uma tributa\u00e7\u00e3o correspondente a 10% da al\u00edquota do sistema padr\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O ponto questionado pela CNI est\u00e1 no \u00a7 7\u00ba do artigo 4\u00ba da lei.<\/p>\n\n\n\n<p>A norma determina que a aplica\u00e7\u00e3o dessa nova tributa\u00e7\u00e3o&nbsp;<strong>n\u00e3o permite ao adquirente apropriar cr\u00e9ditos que seriam vedados em raz\u00e3o da isen\u00e7\u00e3o ou da al\u00edquota zero anteriormente existente<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 justamente essa combina\u00e7\u00e3o que est\u00e1 no centro da controv\u00e9rsia.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes, determinada opera\u00e7\u00e3o era beneficiada por isen\u00e7\u00e3o ou al\u00edquota zero. Com a LC 224\/2025, o benef\u00edcio \u00e9 reduzido e passa a existir cobran\u00e7a tribut\u00e1ria. Por\u00e9m, segundo a interpreta\u00e7\u00e3o questionada pela CNI, o adquirente continua sem poder aproveitar o cr\u00e9dito correspondente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Onde est\u00e1 o problema apontado pela CNI?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A entidade sustenta que a legisla\u00e7\u00e3o criou uma situa\u00e7\u00e3o diferente daquela tradicionalmente analisada pelo STF em rela\u00e7\u00e3o ao creditamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma opera\u00e7\u00e3o anteriormente desonerada, n\u00e3o havia tributo cobrado na etapa anterior. Por isso, n\u00e3o haveria, em princ\u00edpio, cr\u00e9dito a ser apropriado.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a reonera\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, a l\u00f3gica muda: o fornecedor passa a recolher o tributo. Para a CNI, impedir o adquirente de aproveitar esse valor como cr\u00e9dito cria uma esp\u00e9cie de&nbsp;regime h\u00edbrido, em que existe tributa\u00e7\u00e3o na etapa anterior, mas n\u00e3o existe o correspondente creditamento na etapa seguinte.<\/p>\n\n\n\n<p>A discuss\u00e3o, portanto, n\u00e3o se limita \u00e0 exist\u00eancia ou n\u00e3o de um benef\u00edcio fiscal. Ela envolve a rela\u00e7\u00e3o entre&nbsp;tributa\u00e7\u00e3o efetiva e n\u00e3o cumulatividade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cr\u00e9ditos de IPI, PIS e Cofins e o princ\u00edpio da n\u00e3o cumulatividade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A CNI argumenta que a veda\u00e7\u00e3o pode transformar, na pr\u00e1tica, tributos sujeitos \u00e0 n\u00e3o cumulatividade em uma tributa\u00e7\u00e3o materialmente cumulativa.<\/p>\n\n\n\n<p>O efeito econ\u00f4mico apontado \u00e9 relativamente simples: se o fornecedor recolhe o tributo e incorpora esse custo ao pre\u00e7o, o adquirente suporta esse valor. Quando realiza sua pr\u00f3pria opera\u00e7\u00e3o tributada, por\u00e9m, n\u00e3o consegue compensar o montante anteriormente suportado.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado pode ser uma incid\u00eancia em cadeia.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso do IPI, a n\u00e3o cumulatividade possui previs\u00e3o expressa no artigo 153, \u00a7 3\u00ba, inciso II, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal. Para PIS e Cofins, a sistem\u00e1tica n\u00e3o cumulativa tamb\u00e9m possui fundamento constitucional, no artigo 195, \u00a7 12, al\u00e9m da regulamenta\u00e7\u00e3o legal espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>A discuss\u00e3o no STF ser\u00e1 justamente sobre at\u00e9 que ponto o legislador pode restringir o creditamento quando a opera\u00e7\u00e3o anterior, antes desonerada, passa a sofrer tributa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quem pode ser afetado?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A discuss\u00e3o tende a ser relevante para empresas que participam de cadeias produtivas nas quais benef\u00edcios de IPI, PIS ou Cofins foram reduzidos pela LC 224\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p>O impacto pode ser maior em setores com grande volume de aquisi\u00e7\u00f5es e opera\u00e7\u00f5es sucessivas, nos quais o efeito do cr\u00e9dito tribut\u00e1rio interfere diretamente na forma\u00e7\u00e3o do custo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quais s\u00e3o os impactos para as empresas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Impacto no caixa e no custo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O principal reflexo econ\u00f4mico est\u00e1 no custo tribut\u00e1rio efetivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Se a empresa paga ao fornecedor um pre\u00e7o que j\u00e1 incorpora o tributo e n\u00e3o consegue utilizar esse valor como cr\u00e9dito, o montante deixa de funcionar como um mecanismo de compensa\u00e7\u00e3o e pode aumentar o custo da opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O impacto tende a ser mais relevante em empresas que realizam opera\u00e7\u00f5es de grande volume ou que trabalham com margens mais estreitas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Impacto no compliance tribut\u00e1rio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia tamb\u00e9m exige aten\u00e7\u00e3o das equipes fiscais.<\/p>\n\n\n\n<p>A empresa precisa identificar quais opera\u00e7\u00f5es foram afetadas pela reonera\u00e7\u00e3o e verificar se o tratamento dado aos cr\u00e9ditos est\u00e1 de acordo com a legisla\u00e7\u00e3o aplic\u00e1vel e com eventuais medidas judiciais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que est\u00e1 em discuss\u00e3o no STF?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A ADI 8002 foi protocolada pela CNI em 30 de julho de 2026 e distribu\u00edda \u00e0 ministra C\u00e1rmen L\u00facia, conforme as informa\u00e7\u00f5es divulgadas sobre a a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O pedido \u00e9 para que o STF declare inconstitucional o trecho do \u00a7 7\u00ba do artigo 4\u00ba da LC 224\/2025 que impede o aproveitamento dos cr\u00e9ditos nas situa\u00e7\u00f5es abrangidas pela nova regra de tributa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 o momento, trata-se de uma&nbsp;<strong>discuss\u00e3o judicial em andamento<\/strong>. Portanto, n\u00e3o h\u00e1 decis\u00e3o definitiva do STF reconhecendo o direito ao creditamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse ponto \u00e9 importante para as empresas: a exist\u00eancia da ADI n\u00e3o significa, por si s\u00f3, que o cr\u00e9dito possa ser apropriado automaticamente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que as empresas devem fazer agora?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto o STF n\u00e3o define a controv\u00e9rsia, as empresas potencialmente afetadas devem evitar decis\u00f5es baseadas apenas na expectativa de um resultado judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma an\u00e1lise preventiva pode considerar:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Mapear os benef\u00edcios tribut\u00e1rios afetados pela LC 224\/2025;<\/li>\n\n\n\n<li>Identificar opera\u00e7\u00f5es que passaram de isentas ou sujeitas \u00e0 al\u00edquota zero para tributadas;<\/li>\n\n\n\n<li>Verificar se houve efetivo recolhimento do tributo pelo fornecedor;<\/li>\n\n\n\n<li>Mensurar os valores envolvidos e o impacto no custo das aquisi\u00e7\u00f5es;<\/li>\n\n\n\n<li>Avaliar o tratamento dos cr\u00e9ditos adotado atualmente;<\/li>\n\n\n\n<li>Acompanhar a evolu\u00e7\u00e3o da ADI 8002 e eventuais decis\u00f5es do STF.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>O reflexo no planejamento tribut\u00e1rio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A discuss\u00e3o mostra como altera\u00e7\u00f5es aparentemente pontuais em benef\u00edcios fiscais podem produzir efeitos em toda a cadeia econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p>A empresa que apenas observa a al\u00edquota aplicada na opera\u00e7\u00e3o pode n\u00e3o identificar o impacto completo. \u00c9 necess\u00e1rio analisar tamb\u00e9m o tratamento do cr\u00e9dito, o custo efetivo da aquisi\u00e7\u00e3o e a tributa\u00e7\u00e3o da etapa seguinte.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, a revis\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es afetadas pela LC 224\/2025 pode ser relevante n\u00e3o apenas para o compliance, mas tamb\u00e9m para decis\u00f5es relacionadas a&nbsp;pre\u00e7os, margens, contratos e planejamento tribut\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipe da Ribczuk Advogados e R&amp;B Solu\u00e7\u00f5es Cont\u00e1beis e Tribut\u00e1rias permanece \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para eventuais esclarecimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Fontes: <a href=\"https:\/\/www.contabeis.com.br\/noticias\/78885\/stf-julgara-creditos-tributarios-impacto-nas-empresas\/\">https:\/\/www.contabeis.com.br\/noticias\/78885\/stf-julgara-creditos-tributarios-impacto-nas-empresas\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A discuss\u00e3o sobre&nbsp;cr\u00e9ditos de IPI,&nbsp;PIS e&nbsp;Cofins&nbsp;chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF). 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